terça-feira, 30 de outubro de 2018

O começo preocupa

As declarações iniciais do presidente eleito Jair Bolsonaro e as do seu futuro "super ministro" o badalado Paulo Guedes, chegam como um grande ponto de interrogação do governo que veremos a partir de 1/1/2019. Bolsonaro aproveitou suas entrevistas na televisão para atacar a folha de São Paulo que publicou matérias de conteúdo negativo para o candidato durante os dois turnos da eleição, mandando uma espécie de recada de que escolherá os veículos para onde serão destinadas as verbas oficiais, a principio, por critérios que cheiram a revanchismo. No campo econômico, tanto o presidente eleito quanto seu futuro ministro da fazenda escorregaram nas suas declarações. Bolsonaro citou um estranho sistema de meta cambial, ainda não explicado que nos leva a entender, na melhor das hipóteses, o antigo e mal sucedido sistema de bandas cambiais, dando flutuação controlada para a moeda, o que certamente vai consumir esforços extras do banco central e parte das reservas internacionais, tornando a nossa economia campo fértil para possíveis ataques especulativos da nossa moeda, além de retirar um importante sistema de ajuste do mercado pela oferta e demanda, o que é de se estranhar diante da "vocação liberal" vendida na campanha. Paulo Guedes pelo seu lado, em discurso irritado, destratou uma jornalista estrangeira dizendo aos berros que "o Mercosul não é prioridade", será que o futuro ministro desconhece o saldo positivo recorde de 8 bilhões de dólares com o nosso vizinho e parceiro do Mercosul, a Argentina? Todos estamos ansiosos para firmarmos acordos bi laterais com os países centrais do globo, mas nessa transição, nenhum parceiro pode ser simplesmente considerado descartável, principalmente com um saldo tão expressivo na nossa balança comercial.
Mas a pior de todas, na opinião desse blog, foi a declaração de que Sergio Moro, juiz federal de Curitiba, conhecido no pais inteiro como o guardião da lavajato, seria convidado para ocupar uma vaga no ministério da justiça ou no STF. Um convite para Moro nessa altura da lavajato reforçaria a narrativa de golpe dos grupos ligados ao ex-presidente Lula, e dariam um folego extra a militância e aos movimentos ligados ao PT para reforçar a oposição ao governo que nem iniciou ainda. Moro foi o grande responsável junto com a Policia Federal e o MPF, pelo desmonte do sistema corrupto entranhado nas estatais brasileiras e grandes corporações, prendendo figuras importantes da politica e empresários, incluindo o próprio Lula, seria macular toda essa atuação com uma participação politica naquele que foi o "ungido" pelo povo com a marca do "Anti-Petismo". Alguns analistas consideram uma indicação ao STF seria uma situação mais confortável, tanto para o juiz quanto para o próximo governo, já que um ministro do STF, mesmo com a indicação politica, teria independência do poder executivo e carreira longeva, o que não impactaria para Sergio Moro ao deixar a magistratura, em comparação com o cargo de ministro que tem duração curta, e pode ser ainda mais curta, já que é prerrogativa do presidente, inclusive demiti-lo, sem retorno a magistratura. Novamente, na opinião desse blog, nenhuma das situações cairia bem, tornaria todas as ações do juiz, questionáveis do ponto de vista politico, sendo um elemento desastroso para a lavajato.

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