quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A Redenção dos Liberais

Era impossível prever que apenas 4 anos depois das eleições de 2014, muitos candidatos a cargos majoritários se apresentariam como liberais, palavra que virou quase um xingamento em eleições anteriores, se quiséssemos derrubar um adversário era só ir logo dizendo que ele tinha um "projeto neoliberal". Será que estamos assistindo a redenção da doutrina do liberalismo econômico, teorizada há mais de 2 séculos por Adam Smith, ou estamos apenas desejando uma reversão para o "Keynesianismo" da ultima década e meia? Ao que me parece, é que os cidadãos não aguentam mais o tamanho do estado brasileiro e as toneladas de recursos dos impostos que ele consome por ano, deixando apenas migalhas para os investimentos, principalmente em infraestrutura e financiamento de politicas sociais básicas como saúde e educação bem como investimentos em segurança. O perigo desse sentimento, é que todos os canhões foram apontados para o estado e o chamado estado mínimo parece uma solução mágica para todos os problemas, mas não é. Os problemas podem e muito serem agravados com um mau funcionamento do estado por conta da falta de recursos e pessoal capacitado. Nenhuma reforma do estado será possível sem a volta do crescimento econômico e para isso, além das ações efetivas, é preciso uma boa dose de perspectiva positiva transformada em confiança de investidores e consumidores. Sinto arrepios quando ouço, nesse estado das contas públicas, candidatos a presidente da república, falando em redução de arrecadação. É Impossível alcançar algum nível de confiança com a perspectiva de maior deterioração das contas publicas, e uma eventual nova onda de aumento da taxa de juros, apenas para rolagem do rombo ao longo dos anos. O presidente eleito em 28/10 precisa iniciar uma agenda de reformas profundas e com responsabilidade fiscal acima de tudo, passando por um realinhamento de impostos que permita maior justiça fiscal mas que não diminua a capacidade do estado em operar e honrar seus compromissos financeiros, uma ruptura nesses pilares mergulharia o nosso pais em um caos econômico muito maior do que já nos encontramos. Privatizar é preciso, mas não é fácil e não traz resultados rápidos nem fluxo financeiro constante. É recorrente dizer que o socialismo não funcionou em nenhum lugar do mundo, o que em parte é verdade, se consideramos aquele socialismo ditatorial clássico, mas o ultraliberalismo econômico não funcionará em países como o nosso que carrega desigualdades e burocracias enormes para empreender. A guinada liberal é positiva, mas não é a única e imediata solução. Um bom 2019 começa com propostas de reformas politica, fiscal e da previdência, no mínimo. O presidente eleito terá um cacife de aproximadamente 60 milhões de votos, e não pode desperdiçar esse capital político com pautas menores.

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