quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Menos médicos, e agora?

Antes de iniciar, é bom deixar claro que discordo completamente dessa forma de contratação dos profissionais médicos através do governo cubano. Mas o drama é que esses mais de oito mil médicos já estão inseridos no contexto das famílias que dependem desse programa e que certamente ficarão desatendidas até que uma alternativa condizente seja criada. Apesar de os conselhos de medicina afirmarem que existem profissionais no Brasil suficientes para suprir essa necessidade, é fato que nem todos os médicos aceitam trabalhar em regiões distantes. Ainda que a forma de contratação seja polemica e esteja servindo de transferência de recursos dos contribuintes brasileiros ao governo de Cuba, esses médicos estão prestando serviços à população brasileira mais carente, levando cuidados básicos e preventivos que ajudam inclusive a evitar a saturação dos hospitais que atendem essas regiões e que muitas vezes exigem deslocamentos dos pacientes em busca desses cuidados, a decisão abrupta da equipe que assume a presidência em 2019, dá sinais que segue na retórica de campanha patrocinando o que parece muito mais um confronto ideológico com Cuba e os seus simpatizantes no Brasil do que uma decisão que vise a melhoria das condições de saúde das populações mais carentes. Fim do terceiro turno JÁ!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A polemica do aumento do STF

De volta depois de alguns dias de descanso e mesmo sendo quase velha a noticia do aumento concedido aos ministros do STF, a polêmica continua com requintes de indignação. E não é que o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, de despedida do mandato, pautou a matéria que ao final foi aprovada pelos senadores. A medida já havia sido aprovada pela câmara em 2016 por um acordo de lideranças, a qual fez parte o PSC, então partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, e mais recentemente foi aprovado pelo plenário do próprio STF e seguiu para o senado onde estava “adormecido”. Além do pesado impacto nas contas publicas, já em situação de semi-catástrofe, a medida descortina uma atitude de sabotagem do atual congresso com o governo que assume em 2019 e mais uma vez comprova a total falta de capacidade de negociação politica do presidente eleito Jair Bolsonaro, que se absteve de tentar barrar a matéria antes de ser votada e parece estar inerte a sua ultima trincheira que seria o veto do presidente Michel Temer. Não se tem noticia nem de interlocutores de Bolsonaro tratando da matéria que aponta para um rombo de mais 6 bilhões de reais para o orçamento do ano que vem. Bolsonaro se resumiu a fazer mais uma transmissão de seu estúdio improvisado, se defendendo de possíveis acusações de que seria ele, o responsável pelo aumento. “tão querendo botar na minha conta”, disse o futuro presidente em tom jocoso na sua transmissão. Congressistas em geral, não costumam perdoar chefes do executivo inertes ou titubeantes com foi com Temer, que foi e voltou em tantas decisões, que termina o seu governo como alguém que nunca lá esteve. De olho nas reformas, me despeço por hoje.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Nada de novo em São Paulo

O politico de carreira Jair Bolsonaro, presidente eleito em 28/10, anunciou vários técnicos para compor o seu ministério, ao passo que o gestor João Doria traz velhos políticos para compor a sua equipe a frente do governo de São Paulo. João Doria começou com nada menos que dois atuais ministros do governo Temer (MDB), para a secretaria de Educação Rossieli Soares da Silva, e para a chefia da casa Civil o velho conhecido dos paulistanos, ex-prefeito Gilberto Kassab, réu em ação do Ministério Publico de SP por suposto recebimento de caixa dois em campanha. Kassab é o líder do PSD que apoiou Doria e muito provavelmente já teria algum tipo de acerto com o então candidato para compor o eventual governo já que não se candidatou a cargo eletivo esse ano e ficaria fora dos holofotes da politica e sujeito a ver sua acusação descer a primeira instancia, onde normalmente os processos têm tramitado mais rápido. Péssima sinalização de Doria que ganhou as graças do eleitorado paulistano e do Brasil com uma prometida nova forma de governar que duraram poucos meses a frente da prefeitura de São Paulo antes do então gestor ser o protagonista de todos os tipos de costura politica mirando uma frustrada candidatura à presidência e por fim resultando na candidatura vitoriosa ao governo do estado. Doria que estava ofuscado pelo noticiário em torno de Bolsonaro volta as manchetes de maneira nada positiva essa semana.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Terceiro turno

Recentemente ouvi um radialista dizer que "com as mídias sociais o país viverá em campanha eleitoral eterna". Eu suspeito que ele esteja certo, principalmente a julgar pela situação pós-eleição que levou Jair Bolsonaro ao posto de presidente da republica para o período 2019-2022. As redes ainda refletem a tensão que foi a campanha eleitoral, inclusive com fake news, algo de se pasmar, agora parece se tratar não mais de ganhar eleições, mas de manchar reputações, que é o capitulo triste de tudo isso. Muito dessa situação também é alimentada por ex-candidatos e demais políticos, que fazem das suas redes sociais, uma trincheira segura para se insultar diariamente, uma verdadeira baixaria. A grande preocupação é que esse estado de sitio eleitoral não só emperre o governo com pautas menores, ainda que me pareça pouco provável, e que acirre ainda mais os ânimos já exaltados e machucados pelas crises dos últimos anos, o que me parece bem provável. A população precisa virar a pagina da discussão cultural e de costumes e colocar logo a discussão politica e econômica na ordem do dia, já que essa discussão não deu as caras na campanha. De olho nos ministérios e nas reformas.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Enxugando a esplanada dos ministérios

Conforme sinalizado durante a campanha, Jair Bolsonaro, eleito no ultimo dia 28/10 vai costurando uma nova configuração para os seus ministérios, enxugando pastas que estão sendo absorvidas por outras, uma situação bem diferente do inchaço de ministérios e secretárias visto na ultima década e meia. Dois super ministérios estão sendo criados, o da Economia, que integrará, Fazenda, Planejamento e Industria e Comércio Exterior, capitaneado por Paulo Guedes e o super ministério da Justiça, que incorporará o recém criado ministério da segurança publica, mas que também comandará o COAF e terá um papel bastante amplo, segundo o que está sendo planejado, a pasta ainda não tem um titular, mas o grande sonho de consumo de Bolsonaro, o juiz federal Sergio Moro, já dá sinais positivos de que aceitaria a indicação, a se confirmar, já que ambos tem um encontro hoje no Rio de Janeiro. Os demais ministérios do futuro governo deverão ser Casa Civil e Secretaria de Governo - Onyx Lorenzoni, Defesa - General Heleno, Ciência e Tecnologia e ensino superior – Marcos Pontes, Educação-Cultura e Esporte, Agricultura e Meio Ambiente, Trabalho, Minas e Energia, Relações Exteriores, Integração Nacional, Infraestrutura e Transportes, Gabinete de Segurança Institucional, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e Saúde. A grande discussão dessas novas pastas ainda segue na eventual fusão entre Agricultura e Meio Ambiente, que não é visto com bons olhos por ambientalistas e especialistas da área e divide até opiniões nos meios ruralistas. Outra discussão de menos caráter técnico e muito mais politico é a indicação de Sergio Moro para o super Ministério da Justiça, visto por alguns especialistas do direito, um conflito sério de interesses, entre o comandante da lava jato e o novo governo, o que reforçaria a narrativa de golpe dos grupos ligados ao ex-presidente Lula, condenado por Moro por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do Triplex do Guarujá. A interlocutores Moro afirma que isso não seria um impedimento, já que ele não acredita que a narrativa de golpe cessaria ainda que ele não compusesse o ministério de Bolsonaro. Discussões politicas e técnicas a parte, o novo governo, dá uma sinalização positiva de austeridade ao enxugar ministérios, sinalizando que fará a gestão publica com focado em eficiência e não no apadrinhamento de correligionários. O grande desafio, entretanto, seguem sendo as reformas profundas que serão necessárias para correção do rumo catastrófico das contas publicas, e que dependerá de um congresso que na sua essência ainda não mudou o jeito de fazer politico sem o toma lá dá cá dos cargos na administração publica. Vamos acompanhar de perto os próximos capítulos dessa movimentação.